Distância . . . Ponte . . . Pausa . . . Pouso
- maria-tudo

- 26 de dez. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de jun. de 2021
27 Dezembro 2020

Ontem revisitei o meu arquivo de fotos deste ano.
Salientou-se esta, tirada em 5 Janeiro.
Deixei-a em stand-by no desktop.
Hoje de manhã revisitei a praia e demorei-me por lá sob o Sol.
No regresso, por outro caminho frequente, encontrei um excerto de poema recém escrito à mão numa só linha horizontal ao longo da berma da guarda metálica do passadiço superior que liga o lado mar ao lado terra separados pelas linhas de comboio.
O olhar captava e lia o poema numa horizontal elevada e alinhada ao ponto médio do horizonte entre o acima e o abaixo, no andamento natural do caminho de retorno a casa.
Ao final da mesma linha, já descendo, estava o nome do autor e o título.
Chegada a casa, procurei-o, encontrei-o, guardei-o, devolvendo-lhe a verticalidade.
"O que é preciso é ser-se natural e calmo
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja..."
- Alberto Caeiro [Fernando Pessoa], Pastor Amoroso
Não bastasse o fio de ligação ao Sol poente por mim testemunhado e registado ontem no 10, um dos resultados da pesquisa sendo em vídeo, com outro título, ao abri-lo, tive o impacto visual de um paralelo com a foto acima que tinha ficado em stand-by.
(O vídeo originalmente incorporado aqui foi tornado privado, encontrei este com o mesmo conteúdo, porém sem a edição final que convertia a luz em penumbra, tornando as aves silhuetas, um pormenor que destaquei aqui antes como imagem a reter, oferecendo um insight . . . Este vídeo tem uma outra edição final, oferecendo um outro insight. . . Na descrição abaixo do vídeo encontram-se os créditos e o poema completo.)
Esta mensagem podia ficar por aqui, entregue à Tua Alma, deixando a intuição trazer-te e traduzir-te a ponte segundo os teus próprios códigos. Mas acrescento o que me veio ao salientar-se aquela minha foto, agora em paralelo com o conteúdo deste vídeo.
A foto foi tirada no Parque das Nações. Ao fundo avista-se a Ponte Vasco da Gama. Mais perto avistam-se duas gaivotas em voo baixo. Olhando-a no presente, não pude evitar a alusão ao 'distanciamento social' sob medida fixa, ao mesmo tempo que a ponte parece percorrer e anular essa distância, enquanto as aves relativizam todas as distâncias no seu voo, fluindo com as correntes de ar, libertas de correntes metálicas.
A filmagem no vídeo é como um desdobramento vivo da imagem que capturei,
multiplicando o dois em muitos, desfazendo a medida fixa em várias,
confirmando a anulação das distâncias pelo voo, no encontro em presença . . .
Em comum, a serenidade das águas convidando à Pausa em Pouso . . .
Parque das Nações, construído para abrigar a EXPO 98, um evento que muito me marcou, levando-me ao mundo e trazendo o mundo a mim, numa pausa dinâmica de visita intencional a Portugal na época em que vivia no Brasil um período dedicado à casa-família-maternidade, com Afonso a completar 1 ano e Alexandre a caminho dos 3. Uma experiência sem igual que me nutriu numa profundidade e amplitude de Universalidade dentro da nacionalidade, também intensificada por ser vivida em família, deixando impressões e recordações inesquecíveis, evocadas em fotos e sobretudo em cada revisita a esse espaço que permaneceu um símbolo emblemático após o evento.
É inevitável sentir o contraste entre esse Valor e a sua ausência
numa actualidade em que o senso comum entre nações e indivíduos
está assente em distâncias desintegradoras.
Que distâncias a humanidade precisa de acentuar para então percorrer e anular?
Nações, indivíduos, famílias,
horizontalidade, verticalidade,
fora e dentro, abaixo e acima . . .
Hoje celebra-se o Dia da Sagrada Família, segundo lembrou a minha mãe, que me ligou a partilhar a parte de uma exposição oral que a cativou: "Os maiores valores que podemos passar aos filhos/jovens/gerações seguintes são as Raízes e as Asas." Honrei-a nessa partilha repassando a mensagem aos meus filhos, agora de 23 e 25 anos, como reforço consciente desse meu próprio investimento e legado para eles.
Estar aqui nesta comunicação é estender esse investimento e legado a toda a Família Humana. Tu que me lês, não me separes desta Função na tua relação pessoal comigo, de perto ou de longe. Sou uma e a mesma em todas as relações e interacções e o que expresso por esta via é parte integrante dessa interacção. Conta com isso.
Amplia isso com a tua Aliança e o teu Compromisso.
Basta de distâncias disruptivas e fragmentadoras.
Neste mesmo dia as asas foram assinaladas em ternura
numa peça que me comove numa alusão ao meu pai
e evoca a Eterna Criança em Nós.
I Took the Fall
and thought of You
Here's the World I Will Make for You and I

I.M.
m.



