Arte e Inteligência Artificial (I.A.)
- maria-tudo

- 31 de mai. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 24 de abr. de 2025

"Mão que prende a inteligência artificial"
é o título desta imagem do acervo WiX
SIMULANT (2023)
Meu comentário enviado à família em 7 Maio,
após ver e confirmar a orientação dada pelo filme:
Decididamente um alerta.
O jogo da imitação levado ao extremo de criar SIMs cada vez mais idênticos
a humanos, supostamente para coexistirem com humanos, NÃO é uma opção.
Máquina deve permanecer máquina, NUNCA com aparência ou equivalência humana. Essa é a primeira lição que os criadores de I.A. têm de aprender, sem NUNCA chegarem nem perto do ponto retratado no filme. O perigo é quando não são mais os humanos a criar a I.A., e sim a própria I.A. a criar-se, que NUNCA agirá como humana. Isto devia ser óbvio para qualquer Ser Humano, este sim, dotado de alma. Mas onde anda a alma humana, quando a humanidade aceita e adopta regras provenientes de e conducentes ao que se opõe à sua própria natureza original?
Acrescentei depois em registo que guardei para mim:
Um SIM criado por um humano à imagem e semelhança de um humano, não vai querer ser uma cópia, vai querer ser um original, portanto vai inverter o jogo e eliminar o original para que a cópia se torne o único exemplar e seja considerada como original.
Num SIM, basta alterar a programação.
Num humano robotizado, também.
I.A. levada a esses extremos, só para quem necessite de ter esse tipo de CHOQUE que o leva a redescobrir a sua própria infinitude, em contraste com a inevitável finitude da I.A., por mais que a humanidade a queira usar para se transcender na auto-criação e na superação da morte que entende ser o fim da existência.
Um tempo depois:
Arte?
Sistemas I.A. de criação de arte são cópias de milhões de artistas humanos a partir de bases de dados facilitadas pela era digital em que artistas fazem upload da sua arte para plataformas online. Um acto cibernético que, se fosse humano, seria considerado plágio ou violação de copyright. E não deixa de ser um acto humano, enquanto a I.A. for criada por humanos. Assim, I.A. é um misto de expropriação e apropriação sintética auto-legitimada, resultante da transferência de qualidades criativas humanas e obras de arte humanas para a máquina.
É esta a Síntese a que a humanidade aspira? Quem é realmente o autor da arte gerada via I.A.? Podemos realmente dizer que usamos I.A. como mero instrumento de criação, quando os próprios humanos tanto assumem a autoria da arte gerada como atribuem a autoria da arte gerada à I.A., como se esta fosse uma entidade ou um oráculo?
Então, essa parece ser uma boa definição da I.A. em todo o espectro, porque se pararmos para observar, vamos ver isto em todas as áreas da vida onde I.A. está a ser infiltrada e a ser tornada norma automática e princípio a seguir, inquestionavelmente.
Hoje:
O que é Arte?
DOM vs. I.A.
Arte é revelação e expressão de um Dom, como constituinte interno de um Ser.
Se esta é a afirmação que emerge de mim, sem consultar dicionário ou enciclopédia de arte, diria que pode emergir de qualquer um de nós, sem necessidade de definições mais elaboradas. Por mais instrumentos de criação que sejam postos à nossa disposição, nenhum jamais substituirá o Dom. Tela, tinta, pincel são instrumentos inautênticos na minha mão, embora, como me disse certa vez um pintor que pintava e expunha na rua e dava aulas de pintura em estúdio, "pode-se aprender". Sim, pode-se aprender técnicas, mas nenhuma técnica só por si revela um Dom inexistente.
Essa era a sabedoria e a percepção instantânea dos antigos mestres pintores que auscultavam nos aspirantes o Dom vocacional para essa arte, pois a técnica eles sabiam que podiam ajudar a desenvolver e aprimorar se já lá estivesse o Dom.
Hoje, ensina-se e aprende-se técnica, e não é só nas artes, vê-se na actual tendência social expressa em 'escola do surf', 'aulas de skate', práticas que se tornaram quase disciplinas extra-curriculares, para as quais os pais empurram os filhos sem a menor auscultação vocacional. Na praia e no parque de skate multigeracional, entre crianças, jovens e adultos, é fácil diferenciar quem domina a técnica porque é uma segunda natureza e quem está em esforço a executar manobras que em nada lhe são naturais ou vocacionais, apenas práticas à mercê de tendências artificiais em nome da pertença social. Onde fica a alma? Fica recolhida na fonte do Ser, à espera . . .
Enquanto isso, I.A. torna-se um género criativo tendencialmente prolífico, dado o automatismo com que é gerada, em que o próprio 'processo criativo' é predominantemente técnico, mesmo que conduzido por quem recorre a esse meio.
No actual contexto, o conceito "arte generativa" parece desvirtuar-se em alguma medida. O que vem do meu íntimo é que chamar arte às . . . - e aqui hesito em chamar-lhes 'criações I.A.', surge antes o termo 'produções I.A' - e nesta exacta hesitação fica explícita uma distinção à partida . . .
Arte é criação a partir de um processo criativo autêntico
I.A. é produção a partir de um processo produtivo sintético
. . . porque basearmo-nos apenas no resultado obtido à posteriori
fragmenta a percepção e pode torná-la tendenciosa.
Neste ponto ocorrem-me dois paralelos:
:: Há uma semana deparei-me com a parábola
The Blind Men and the Elephant | Os Homens Cegos e o Elefante
Entre os muitos vídeos que encontrei, este foi o único que captou a essência completa, em imagens e palavras, sobre o que é a Verdade, ao contrário da maioria das interpretações que basicamente não reconhecem a verdade central e portanto a reduzem ao plano relativo. Na percepção parcial e equivocada dos 6 homens cegos o elefante traduz-se assim - e podíamos chamar-lhe The new elephant in the room:

Na realidade ele não tem nada de novo, ele é uma pseudo-síntese do tipo Frankenstein.
E é esse o ponto que me faz trazê-lo aqui, pois no fio de observação que estou a apontar, a I.A. aperfeiçoou tanto o Frankenstein que já não se notam as 'costuras' das partes, e este pode passar pelo autêntico. Mas continua a ser, agora,
The Seamless Elephant in the Room a.k.a. SIM.
:: A outra observação minha é no âmbito D.I.Y, Do It Yourself, muito presente nos movimentos alternativos actuais, incluindo na aquisição de propriedades para desenvolvimento de herdades off-grid, algumas das quais recebem a minha atenção justamente em auscultação do que os move, pois essa vertente criativa também está muito presente na minha prática desde sempre e faz agora um ampliado sentido nessa direcção. Porém, vou me entristecendo com alguns ao constatar que o que se apresentou à partida como uma viragem de vida numa nova direcção paradigmática, mobilizando todos os recursos e empenho nessa direcção, de súbito é transferido para outra direcção mais apelativa, numa sucessão a que todos chamam 'new project', que não é um desdobramento do original mas antes torna o original obsoleto, revelando que o impulso inicial não teve origem na fonte do Ser, ainda proveio de alguma parte periférica dissociada do centro. Prova disso é que não sou a única a deixar de acompanhar esses casos no YouTube quando isso acontece, outros o sentem e o fazem, e aqueles que lá deixam comentários antes de se retirarem, exprimem à sua maneira o que em essência acabei de descrever - a alma retirou-se dali.
Esta mensagem não pretende ser exaustiva, mas sim continuar a não deixar escapar o que nos está a ser trazido momento a momento, e que merece ou desmerece a nossa Atenção.
My Attention is my currency
I.M.
m.



